
As pesquisas relacionadas à decoração de interiores na França estão cada vez mais focadas em critérios que vão além da estética pura. Qualidade do ar, reuso de materiais, impacto das cores no bem-estar: as tendências de decoração atuais refletem uma evolução onde o quadro regulatório e os dados provenientes das neurociências pesam tanto quanto as escolhas estilísticas.
Decoração neuro-amigável: o que as neurociências mudam no planejamento interior
Desde 2023-2024, a noção de “neuro-arquitetura” se expandiu do setor terciário para o residencial. Escritórios como Gensler ou HOK, que por muito tempo se especializaram em espaços de escritório, agora publicam recomendações adaptadas para habitação. O princípio se baseia na redução dos estímulos visuais para diminuir o estresse: menos objetos expostos, armazenamento fechado, linhas curvas em vez de angulares.
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Concretamente, isso se traduz em cores desaturadas nas paredes, uma iluminação indireta privilegiada em relação aos spots direcionais, e materiais suaves ao toque (linho, lã bouclée, madeira não envernizada). Os ambientes de teletrabalho são os primeiros afetados, mas a lógica se estende aos quartos e salas de estar.
Para acompanhar as novidades dessas correntes e descobrir o site News Déco, os recursos especializados permitem identificar as marcas que integram esses princípios em suas coleções.
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O ponto a ser lembrado: um interior relaxante não se baseia em um estilo único, mas em escolhas de materiais e iluminação mensuráveis. A abordagem neuro-amigável não impõe o minimalismo, mas exige reflexão sobre a quantidade de estímulos em cada ambiente.

Regulamentação ambiental e decoração: a REP PMCB muda a oferta
A entrada em vigor gradual da REP PMCB (Responsabilidade Ampliada do Produtor para Produtos e Materiais de Construção do Edifício) desde 2023 alterou o catálogo disponível nas lojas. Os fabricantes são obrigados a organizar a gestão do fim de vida de seus produtos, o que impulsiona uma oferta mais ampla de tintas, revestimentos e painéis decorativos provenientes do reuso ou mais facilmente recicláveis.
Paralelamente, o fortalecimento da rotulagem das emissões de COV (compostos orgânicos voláteis) para tintas, vernizes, colas e revestimentos internos leva as marcas a se comunicarem sobre linhas classificadas como A+. Essa classificação, já obrigatória, ganha visibilidade junto ao grande público.
O impacto nas tendências de decoração é direto: os materiais naturais (madeira bruta, terracota, cal) não são mais apenas uma escolha estética. Eles atendem a uma exigência regulatória que torna as alternativas sintéticas menos atraentes para os próprios fabricantes. Os retornos do campo divergem nesse ponto, alguns artesãos relatando que as linhas recicladas ainda carecem de variedade cromática, enquanto outros observam um progresso rápido nas acabamentos disponíveis.
Paleta de cores e materiais de madeira: tendências de decoração concretas para a sala e o quarto
Entre as direções que se confirmam, a madeira escura (nogueira em destaque) se impõe nos móveis de sala de estar e de jantar. Em contrapartida, as paredes tendem a tons profundos, mas pouco saturados: bordô, terracota suavizada, tons próximos ao Mocha Mousse (cor Pantone 2025).
Alguns eixos a considerar para escolher suas cores e materiais:
- Priorizar uma paleta restrita por ambiente (duas a três tonalidades no máximo) em vez de multiplicar os acentos, o que se alinha às recomendações neuro-amigáveis sobre a redução de estímulos
- Verificar a rotulagem COV das tintas de parede antes da compra, a menção A+ garantindo o nível de emissão mais baixo
- Testar as tonalidades em amostras na parede em questão, pois um bordô sob iluminação LED fria pode se tornar roxo e perder o efeito desejado
- Associar a madeira escura dos móveis a têxteis claros para evitar um efeito caverna em ambientes de menos de quinze metros quadrados

O retorno dos acabamentos cromados e brilhantes
O cromo está voltando nas maçanetas de móveis, pernas de mesas de centro e luminárias. Esse retorno contrasta com a dominação do latão escovado e do preto fosco nos últimos anos. O cromo funciona melhor em espaços iluminados onde capta e redistribui a luz natural.
Os acabamentos brilhantes levantam uma questão prática: eles marcam mais as impressões digitais. Os fabricantes respondem com tratamentos anti-marca, mas sua durabilidade varia conforme as linhas.
Decoração circular e reuso: além da tendência, uma exigência de mercado
A decoração chamada circular (móveis de segunda mão, materiais de reuso, upcycling) não é mais uma escolha militante. A oferta estruturada de móveis recondicionados se amplia, impulsionada tanto pela REP PMCB quanto pela multiplicação de plataformas de revenda especializadas em design e decoração.
Alguns pontos de referência para se orientar nessa oferta:
- Verificar a procedência e o estado estrutural do móvel (montagens, pés) antes de confiar na aparência visual
- Distinguir o reuso (objeto utilizado como está ou após reparo) da reciclagem (material transformado em novo produto), pois as garantias diferem
- Prestar atenção aos revestimentos de origem em móveis antigos, alguns vernizes anteriores às normas atuais podem conter substâncias hoje regulamentadas
O reuso na decoração de interiores agora é regulamentado pelas mesmas exigências que os novos em termos ambientais, o que tranquiliza os compradores, mas às vezes complica a comercialização para pequenos revendedores.
As tendências de decoração para os próximos meses não se resumem a uma escolha de cor ou estilo de móveis. A convergência entre neurociências aplicadas à habitação, regulamentação ambiental e estruturação do mercado de segunda mão redefine o que “decorar seu interior” significa. O critério estético permanece presente, mas agora se insere em um quadro técnico e regulatório que cada projeto de decoração deve considerar desde o início.